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sábado, 4 de setembro de 2010

Toxcen registra aumento de acidentes com animais peçonhentos no verão


Todos os anos milhares de capixabas são vítimas de picadas de serpentes, aranhas, escorpiões e outros insetos venenosos. Entretanto, durante o verão, as pessoas devem ter mais cuidado, pois é nessa época que o Centro de Atendimento Toxicológico (Toxcen) da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) registra um aumento nos acidentes com animais peçonhentos.

Para a coordenadora do Toxcen, Sony Itho, tal fato se deve, principalmente, a dois motivos. O primeiro se relaciona ao comportamento desses animais durante

a estação mais quente do ano. Nesse período, eles ficam em maior atividade e saem constantemente da toca por causa do calor e em busca de alimentação.

A outra razão se explica pela exposição das pessoas, que acabam encontrando-os em seus habitats naturais durante as atividades de lazer nas férias, como passeios e viagens ao interior e a acampamentos.

Além disso, grande parte dos acidentes é ocupacional e coincide com a época de plantio e colheita agrícola. “Nossa colheita é manual porque nosso terreno é muito acidentado. Por isso, nas culturas de mamão, café, cacau e de hortaliças, por exemplo, é comum acidentes nas mãos e pés”, diz a especialista.

Dados

É possível observar que entre os meses de janeiro e junho a diferença do número de acidentes com animais peçonhentos é alta (acompanhe a tabela abaixo). A tendência é que com o fim do verão as serpentes, aranhas escorpiões e insetos venenosos fiquem menos ativos em suas tocas e esconderijos e contribuam para a diminuição dos casos.

Os acidentes que envolvem serpentes são os mais comuns. Em seguida vêm os escorpiões, seguidos pelas aranhas. Menos frequente nas estatísticas, mas não menos perigosos, insetos como abelhas, marimbondos, lagartas e lacraias são reunidos em um grupo responsável também por muitas notificações (veja tabela abaixo).

Além disso, os dados do Toxcen indicam que os acidentes com animais peçonhentos crescem a cada ano. Só no primeiro semestre de 2008, houve 1.913 notificações, contra 1.552 em 2007, ou 25% a mais. Para Sony Itho, um dos principais responsáveis por isso são os escorpiões.

Perigo em casa

De acordo com a coordenadora, o crescimento de acidentes com escorpiões representa grande ameaça aos capixabas porque o animal tem adquirido uma característica domiciliar, ou seja, a cada dia que passa, ele tem encontrado nas residências e áreas adjacentes um novo habitat.

“O problema maior do escorpião é que ele está cada vez mais ‘domiciliado’ devido a sua grande procriação. Um dos motivos para isso é que uma das espécies mais comuns aqui no Estado, o escorpião amarelo, não precisa do sexo oposto para ter filhote”, ressalta a médica. Esta espécie se reproduz por partenogênese, procria sem a participação de machos.

Com se não bastasse, o desmatamento e a construção de moradias em encostas também tem contribuído para aproximar os escorpiões das casas. A escassez de alimento na zona rural tem sido compensada pela fartura de insetos – alimento preferido destes animais, encontrados em residências e entornos.

Os números comprovam a mudança de perfil do escorpião. De 2007 para 2008, os acidentes causados por escorpiões passaram de 383 para 567 nos primeiros seis meses, um aumento de 48%. “A tendência é que os acidentes com escorpiões aumentem mais do que os com cobras. Como ele tem um tamanho menor, fica mais escondido. Além disso, não causa aquele pavor como as cobras”, esclarece Sony Itho.

Segundo a especialista, o que ainda mantém as serpentes no primeiro lugar do ranking de acidentes é o medo que elas causam. “Ninguém vê uma cobra e a deixa ir embora, é uma questão cultural. Entretanto, em termos de Brasil, o número de acidentes com escorpiões já suplantou o de cobras. Além disso, a taxa de letalidade dos acidentes com escorpiões é maior. Os últimos seis óbitos registrados (2007 e 2008) foram causados por eles”.

A coordenadora do Toxcen chama a atenção para um fato importante: a maioria dos animais ataca quando se sente ameaçada. Com uma exceção ou outra, as serpentes, aranhas, escorpiões e insetos venenosos não são agressivos por natureza, salvo quando são colocados em uma situação de risco, como a invasão de seu habitat, por exemplo.

Gravidade

Geralmente, a gravidade dos acidentes está relacionada à idade e ao tempo de atendimento da vítima. Quanto menor (menos de 10 anos) ou mais avançada a idade (mais de 60 anos) e quanto mais tempo demora o socorro, mais sério se torna o quadro, podendo ocorrer óbito.

Por isso, Sony Itho alerta que em caso de acidente, o primeiro passo a ser seguido é procurar um serviço médico. Se possível, é importante capturar o animal, sem se expor ao perigo, para que o tratamento seja direcionado. Outras medidas aconselhadas são: evitar usar garrote, não passar substâncias no local atingido e não ingerir bebidas alcoólicas

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